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quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Prédio da Estação Ferroviária de Caio Prado: Luta por Restauração Continua

Um abraço simbólico na antiga estação. Com o gesto coletivo promovido pela Associação dos Amigos de Caio Prado (AACP), a comunidade do maior distrito de Itapiúna, na divisa do Maciço de Baturité com o Sertão Central, demonstra preocupação com a situação, de abandono, do prédio pertencente ao acervo da extinta Rede Ferroviária Federal S/A (Rffsa). Além da possibilidade de desmoronamento, reclamam da utilização do imóvel secular como um local de prostituição e consumo de drogas. Os vizinhos não se conformam com a situação. Exigem providências, da Polícia e do órgão responsável pela manutenção do prédio público federal. O antigo agente da estação, José Dário Correia, lamenta a degradação do lugar onde trabalhou a maior parte da sua vida, enviando e recebendo mensagens telegrafadas. A filha, Maria de Fátima Correia, sugeriu a restauração do prédio em troca de cultos, utilizando-o como um templo evangélico, porém preservando suas características arquitetônicas. Pedido Em 2007, a AACP requereu a cessão do imóvel à Secretaria do Patrimônio da União (SPU). Segundo o diretor-presidente da entidade, José Marcelo Oliveira, a ideia é assegurar a preservação da unidade de embarque e desembarque da extinta Rffsa, um dos símbolos do progresso de Caio Prado, e destina-la a atividades sociais, educativas e culturais. O problema é que a cada dia a estação fica ainda mais deteriorada. Se não houver agilidade na liberação, o imóvel poderá se transformar em ruínas. Três meses atrás, o Diário do Nordeste havia abordado a situação das estações espalhadas pelo Interior. Prefeituras e organizações não governamentais lutam pela destinação dos velhos prédios em espaços culturais. Aguardam ansiosas as transferências dos imóveis. De acordo com o técnico da SPU responsável pelo recebimento do inventariado da Rffsa, engenheiro civil Carlos Roberto Nevares, ainda vai demorar até a concretização dos levantamentos, pelo menos dois anos. Uma empresa especializada realiza o trabalho. Convênio Ao saber da situação da estação de Caio Prado, o técnico avaliou a possibilidade de firmar um convênio de manutenção com a Prefeitura ou a entidade interessada. Nevares justificou o demorado levantamento físico cadastral ao número acentuado de bens da Rffsa. Não estão incluídas somente as estações e casas de agentes. Na relação consta até a malha ferroviária. Carlos Roberto ressaltou que o fornecimento do inventário feito pelo Iphan poderá auxiliar na posse temporária dos interessados. Mas até agora o relatório não foi fornecido. De acordo com o chefe da Divisão Técnica de Sobral, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), arquiteto Alexandre Veras, o levantamento, para constatação do patrimônio considerado cultural, de valor histórico, artístico e simbólico, está pronto. Porém, não recebeu nenhuma solicitação da SPU. Disse ainda não constar no escritório do Instituto nenhum processo referente à estação de Caio Prado. Prioridade O Iphan estabelece a prioridade de uso, cabendo preliminarmente ao Governo do Estado, depois às prefeituras e por fim as entidades não governamentais. Responsável pela catalogação patrimonial da Rffsa no Estado, Veras sugere aos interessados manterem contato com o escritório regional do Iphan, em Fortaleza. Por meio dele será possível agilizar a análise das solicitações e fazer o encaminhamento dos projetos a Brasília. Com a aprovação, o imóvel poderá ser requerido a SPU. "Enquanto a tramitação não se concretiza, o órgão interessado poderá recuperar o prédio e utiliza-lo, mediante um termo de compromisso", completou o chefe Alexandre Veras. (Diário do Nordeste)

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